Há viagens que fazemos para conhecer lugares. E há viagens que parecem nos chamar.
Caminhos que atravessam paisagens, cidades e séculos, mas que, misteriosamente, também atravessam alguma coisa dentro de nós.
Nos Caminhos de Madalena é uma peregrinação pela Espanha e pelo sul da França em busca das marcas deixadas pelo Feminino Sagrado
na história, na espiritualidade, nos mitos e nas tradições que sobreviveram ao tempo.
Durante doze dias, percorreremos lugares extraordinários — alguns consagrados pela história, outros envolvidos em lendas e mistérios —
seguindo um o simbólico que nos levará das alturas de Montserrat à gruta de Sainte-Baume, das muralhas medievais de Carcassonne aos
mistérios de Rennes-le-Château, até chegarmos às margens do Mediterrâneo, em Saintes-Maries-de-la-Mer.
Mais do que conhecer lugares, queremos vivê-los. Porque talvez toda peregrinação exterior esconda uma peregrinação interior.
TP082 • 15.MAI • GRU/LIS • 15h30/05h25
TP1030 • 16.MAI • LIS/BCN • 07h40/10h35
TP403 • 25.MAI • MRS/LIS • 18h20/19h50
TP087 • 25.MAI • LIS/GRU • 23h30/05h50 • 26.MAI
• Barcelona: 3 noites – Hotel HCC Montblanc 3*
• Carcassonne: 1 noite – Ibis Styles Carcassonne La Cité 3*
• Brignoles: 2 noites – Ibis Brignoles Provence Vert 3*
• Arles: 3 noites – Ibis Budget Arles Palais de Congress 3*
Encontro do grupo em São Paulo (Aeroporto de Guarulhos), para embarque com destino a Barcelona, com conexão em Lisboa. Jantar e pernoite a bordo.
Chegada à Lisboa e conexão para Barcelona. Na chegada, recepção e traslado ao hotel. Tarde livre para um primeiro contato com a cidade, suas ruas, sua arquitetura, seus aromas e sua atmosfera mediterrânea.
Este será o início simbólico da peregrinação: o momento de deixar para trás, pouco a pouco, o cotidiano. A peregrinação começou.
Café da manhã. Visita a obra visionária de Antoni Gaudí. Visitaremos a Sagrada Família e algumas de suas criações mais emblemáticas, como o Parque Güell e a Casa Vicens. Na arquitetura de Gaudí, pedra, natureza, luz e espiritualidade parecem pertencer à mesma linguagem. A Sagrada Família começou a ser construída em 1882. Gaudí sabia que provavelmente não veria sua obra terminada e, ainda assim, dedicou sua vida a ela.
Talvez exista aqui uma primeira pergunta para nossa jornada: Que obra estamos construindo em nossa própria vida, mesmo sabendo que somos apenas parte de algo maior?
Café da manhã. Saída para a montanha sagrada de Montserrat, onde se encontra La Moreneta, a Virgem Negra da Catalunha. Segundo a tradição, no século IX, pastores encontraram a imagem de Maria em uma gruta. Ao tentarem transportá-la, seu peso teria se tornado tão grande que compreenderam a mensagem: ela desejava permanecer na montanha. Desde então, Montserrat tornou-se lugar de peregrinação, silêncio e mistério. Diante da Virgem Negra, entraremos simbolicamente em contato com uma imagem ancestral do feminino: a Mãe profunda, a terra, a gruta, a escuridão fecunda da qual nasce a vida.
Nem toda escuridão é ausência de luz. Algumas escuridões são lugares de gestação.
Café da manhã. Entraremos no território das histórias medievais, das cruzadas, dos mistérios e das lendas. Primeira visita a Carcassonne, onde caminharemos por suas muralhas e ruas medievais. Visitaremos a Basílica de Saint-Nazaire e conheceremos a antiga Bastide Saint-Louis. Continuação para Rennes-le-Château, um dos lugares mais enigmáticos da viagem. Visita ao domínio do Abbé Saunière, seus jardins, a Villa Bethânia, a Torre Magdala e a pequena Igreja de Santa Maria Madalena.
Poucos lugares despertam tantas histórias sobre tesouros, linhagens sagradas, sociedades secretas e conhecimentos ocultos. Não iremos em busca de respostas definitivas. Iremos ao encontro do mistério. Porque existem perguntas que talvez sejam mais transformadoras do que as respostas.
Café da manhã. Chegada ao coração espiritual da peregrinação. Em Saint-Maximin-la-Sainte-Baume, visitaremos a grande basílica dedicada a Maria Madalena, construída a partir do final do século XIII, depois da descoberta de relíquias que, segundo a tradição provençal, pertenciam à discípula de Jesus. Aqui, Maria Madalena deixa de ser apenas personagem dos Evangelhos. Ela se torna presença: mulher, discípula, testemunha, peregrina. Aquela que permaneceu. Aquela que viu. Aquela que anunciou.
Café da manhã. Este será um dos momentos mais especiais de toda a viagem. Faremos a peregrinação até a Gruta de Sainte-Baume, onde, segundo uma tradição secular, Maria Madalena teria vivido seus últimos anos em contemplação. Subiremos pela floresta em direção à montanha. Pouco a pouco, deixaremos para trás o ruído. A gruta representa um dos símbolos mais antigos da espiritualidade feminina: o ventre, o recolhimento, a interioridade, o lugar onde algo precisa morrer para que outra coisa possa nascer. Será um dia para caminhar, silenciar e escutar.
Talvez não estejamos apenas indo ao encontro de Madalena. Talvez estejamos indo ao encontro de alguma parte esquecida de nós mesmas.
Café da manhã. Depois da montanha, retornamos à terra. Visita a Aigues-Mortes, cidade medieval cercada por muralhas e ligada à história das Cruzadas. Visitaremos também as famosas salinas da Camargue. O sal acompanha a humanidade desde tempos imemoriais. Preserva, purifica, protege e dá sabor. Depois da experiência da gruta, o sal pode ganhar outro significado: O que queremos preservar da nossa própria história? E o que já podemos deixar se dissolver?
Café da manhã. Saída para Saint-Gilles, antigo centro de peregrinação medieval e parte dos Caminhos de Santiago. Visita à sua histórica abadia. Seguiremos para Arles. Aqui, a viagem começa lentamente a se aproximar novamente do Mediterrâneo. Mas já não somos exatamente as mesmas mulheres que desembarcaram em Barcelona.
Toda peregrinação deixa marcas. Algumas aparecem nas fotografias. Outras permanecem invisíveis.
Café da manhã. Chegada ao Mediterrâneo. Segundo uma antiga tradição provençal, foi por estas águas que chegaram à região Maria Madalena, Maria de Clopas, Maria Salomé e outros seguidores de Jesus. Estaremos em Saintes-Maries-de-la-Mer durante as celebrações dedicadas a Santa Sara, profundamente venerada pela comunidade cigana. Participaremos da atmosfera da festa, das celebrações, da música e das tradições que tomam conta da pequena cidade. À noite, encerraremos com uma festa cigana, jantar, música e dança. Depois de tantos caminhos interiores, celebramos novamente o corpo. Porque espiritualidade também pode ser alegria, música, dança e vida.
Café da manhã. Chega o momento de voltar. Seguiremos até Marseille nosso voo de retorno ao Brasil. Mas uma peregrinação verdadeira nunca termina exatamente no lugar onde começou. Voltamos para casa levando imagens, histórias, encontros, silêncios e perguntas. Talvez seja esse o verdadeiro sentido de seguir os caminhos de Madalena: não encontrar apenas os lugares por onde ela teria passado, mas descobrir o caminho que sua imagem abre dentro de nós. Porque algumas viagens nos levam para longe. Outras nos levam de volta para casa. E talvez a viagem mais longa seja justamente esta: o caminho de volta a nós mesmas.
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Cardeal jesuíta e doutor da Igreja, defensor da fé católica na Contrarreforma.
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